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ANACOM, EVOMEDIA, UN2… QUEM fala sobre este ESCÂNDALO?

📅 12/04/2026 ✍️ Pedro Silva ⏱️ 3 min de leitura

O caso da UN2 foi dos mais estranhos que passou por Portugal. 7 meses depois, o que se sabe?

Aqui no Viciado Comenta estamos sempre atentos às novidades no mercado das telecomunicações e, por isso, durante o ano de 2025 tivemos oportunidade de acompanhar o lançamento da operadora UN2 (Unidos) no mercado nacional.

Foi em junho de 2025 que analisámos aquela que seria a proposta de preços e serviços da nova operadora em Portugal. Com três sites lançados no espaço de um mês e após um vídeo de apresentação feito com IA, cuja qualidade deixou muito a desejar, a operadora arrancou e começou a prestar serviços de TV, internet e voz.

A UN2, controlada pela Masnostra, utilizava a rede móvel da operadora NOS e a fibra ótica da MEO. A EVOMEDIA era a entidade responsável por revender o sinal à UN2. A operação iniciou-se e tudo parecia decorrer dentro da normalidade. Pelos fóruns, foi possível perceber que alguns clientes foram aderindo ao serviço e nada fazia prever o que estava por vir.

Em setembro, tudo mudou. Num comunicado, o CEO da Masnostra informou publicamente que a empresa se preparava para iniciar uma reestruturação dos seus serviços e que, por isso, deixaria de aceitar temporariamente novos clientes. No entanto, a razão para essa reestruturação surpreendeu: aparentemente, o fornecedor grossista, a EVOMEDIA, estaria a revender de forma irregular sinais e serviços de outros operadores.

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Nos meses seguintes, a Masnostra, que tinha prometido regressar, nunca voltou. Os clientes viram os seus serviços serem cancelados e não receberam qualquer posição oficial por parte da empresa.

Passados sete meses, não voltou a haver qualquer comunicação sobre o assunto.

Neste caso estão envolvidas várias entidades. Por um lado, a ANACOM, que enquanto regulador tem uma responsabilidade acrescida num momento tão delicado. Por outro, a EVOMEDIA, empresa diretamente visada, que em nenhum momento se pronunciou oficialmente. A MEO e a NOS, cujos serviços terão sido utilizados de forma irregular, também não abordaram publicamente a situação.

O que resta neste momento?

Esta situação é de extrema gravidade. Ao longo dos meses, as dúvidas foram aumentando e a confiança na UN2 foi seriamente abalada, não só pela situação em si, mas também pelo seu desaparecimento. A empresa-mãe, a Masnostra, mudou entretanto de nome, passando a apresentar-se como Bialant.

E a ANACOM?

No Viciado Comenta, consideramos que o silêncio da ANACOM é ensurdecedor. Compete ao regulador acompanhar estes casos e, embora se compreenda que o processo, estando em tribunal, esteja sujeito a segredo de justiça, parece haver espaço para um comunicado que esclareça o que está a ser feito para apurar os factos.

Conclusão:

Há um silêncio generalizado sobre este caso em Portugal. Uma operadora grossista alegadamente revendeu de forma irregular serviços de duas operadoras. A ANACOM deu luz verde ao arranque desta operação e, em nenhum momento, parece ter detetado irregularidades. O caso foi tornado público pela empresa que alegadamente terá sido lesada, após a rescisão, por justa causa, do contrato grossista. No final, os clientes continuam sem respostas, incrédulos com o que aconteceu.

À medida que o tempo passa, esta situação torna-se cada vez mais difícil de compreender e aparenta ser um daqueles casos que se arrastará durante muitos anos em tribunal.