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DIGI

CASO do METRO chega ao GOVERNO via CHEGA! É desta?!

📅 05/03/2026 ✍️ Pedro Silva ⏱️ 4 min de leitura

O caso do Metro de Lisboa que evolve a DIGI

O caso do Metro de Lisboa é um caso longo que se tem vindo a arrastar pelos últimos meses e sobre o qual já tive oportunidade de me pronunciar diversas vezes.

Desta vez, temos um novo avanço e pode ser que finalmente vejamos esta novela a chegar ao fim. Depois de um conjunto de questões feitas por alguns deputados do partido CHEGA ao Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz revelou estar a acompanhar de perto a situação.

Ponto atual da situação

O Metro de Lisboa é composto por 4 linhas:

Vermelha - onde a DIGI passou a ter acesso no 3.º trimestre de 2025. Amarela - acesso da DIGI desde o final de janeiro de 2026. Verde e Azul - onde a DIGI ainda não tem acesso aos dias de hoje.

A DIGI e o Metro de Lisboa já tiveram a tal reunião pretendida pelo CEO da DIGI, sendo que o CEO da operadora romena revelou que as negociações ainda se encontram a decorrer e sem prazo estabelecido para estarem concluídos os trabalhos nas linhas que faltam.

Onde é que reside o problema?

O Metro de Lisboa celebrou um contrato, em 2005, com a MEO, NOS e Vodafone, que previa, entre outras coisas, a obrigação de partilha do acesso a esta infraestrutura com futuros operadores licenciados que a ela quisessem ter acesso. A operadora designada como mediadora deste contrato foi a MEO, pelo que é com esta que a DIGI deve mediar a sua entrada. Acontece que a DIGI solicitou esse pedido de acesso e o mesmo foi negado, tendo a MEO indicado que seria necessário construir uma nova infraestrutura. De lá para cá, já foi possível à DIGI entrar na infraestrutura nas linhas Vermelha e Amarela, mas o mesmo não foi possível nas restantes linhas. Diz o gabinete do Ministro das Infraestruturas e Habitação que, no que toca às duas linhas que faltam, a difusão do sinal será disponibilizada ao longo do ano de 2026, de forma faseada.

A DIGI não aceita e exige respostas.

O que a DIGI pretende? O que a DIGI pretende é uma solução temporária que permita a difusão do sinal até que a solução definitiva esteja pronta. Este é um processo que não deveria ser demasiado difícil, uma vez que, tendo em conta as palavras do CEO da DIGI, a dimensão e o consumo de recursos desta solução temporária estão ao nível de uma folha de papel A4 e de uma lâmpada.

O que pensar desta situação?

Falta espaço para a DIGI na atual infraestrutura? Diria que não, uma vez que, em 2005, o contrato já contava com 3 operadoras e já deixava clara a possível existência de novos operadores no futuro.

Há interesse, por parte das 3 operadoras, em atrasar este processo? Possivelmente sim, uma vez que, de início, foi logo apresentado um período de tempo de 24 meses para dar acesso à infraestrutura. Esse prazo foi colocado em causa pelo regulador (ANACOM), não tendo existido qualquer desenvolvimento subsequente a essa promessa de “avaliação” do regulador.

O Metro de Lisboa está a arrastar os pés no processo? Certamente, uma vez que as necessidades para a infraestrutura temporária identificadas pela operadora DIGI são de tal maneira reduzidas que custa a acreditar que demore meses a conseguir disponibilizar um espaço dentro do Metro que cumpra os requisitos para o funcionamento do sistema e garanta a segurança dos utentes do serviço de metro.

O Governo chegou tarde? Com toda a certeza. Desde a primeira hora que a DIGI apresentou problemas na entrada nesta infraestrutura pública, pelo que, uma vez que a administração do Metro de Lisboa não teve capacidade de dar resposta em tempo “aceitável” a este assunto, seria da competência do Governo, pelo menos, perceber desde a primeira hora o que se estava a passar.

A DIGI está a contar tudo? Talvez não. Diria que, numa negociação com parceiros que trabalham em equipa contra uma operadora, não tenha sido sempre possível à DIGI cumprir todos os requisitos impostos pela outra parte.

Em suma, alguma das partes está a falhar aqui. Numa primeira fase, espero que o problema fique resolvido rapidamente, porque, no fundo, são os portugueses que escolheram a DIGI como operadora que estão a ser prejudicados. Numa segunda fase, gostaria que as entidades envolvidas contassem a sua versão dos factos, para que o contribuinte compreenda, pelo menos, as ações tomadas pelas entidades públicas envolvidas.

Que seja o último capítulo desta novela embaraçosa.