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CONHECE as NOVAS propostas da YORN - MOCHE - WTF

📅 12/03/2026 ✍️ Pedro Silva ⏱️ 4 min de leitura

Marcas jovens WTF, MOCHE e YORN entram na guerra dos pacotes de serviços!

Com a recente entrada da DIGI no mercado nacional, as operadoras incumbentes trataram rapidamente de arranjar formas de estancar a sangria que a nova operadora lhes poderia causar.

A primeira parte desta estratégia passava por criar uma réplica da DIGI nas suas marcas brancas: UZO, WOO e Amigo. Nestas, as operadoras tentavam garantir os mesmos serviços, a preços iguais ou muito aproximados, nas zonas onde existisse esta nova concorrência. Usando o seu poder de mercado e as suas infraestruturas mais amadurecidas, estas operadoras defenderam-se assim do que poderia ser um feroz ataque às suas quotas de mercado.

Não se pode dizer que tenha corrido mal. Os mais recentes dados da ANACOM mostram que o crescimento da DIGI ao longo do ano de 2025 não foi exponencial e, diria até, que não superou muito o que já era a quota de mercado anterior da NOWO (comprada pela DIGI).

Aparentemente, as operadoras consideram que 2026 pode ser um ano em que a ameaça de operadoras como a DIGI, LigaT ou LycaMobile se pode tornar mais relevante. O crescente despertar dos consumidores para esta realidade, a cada vez maior difusão de informação sobre esta temática e o amadurecimento das infraestruturas destas operadoras podem levar a uma saída significativa de clientes das operadoras tradicionais.

Qual a estratégia?


Para começar, o ano de 2026 trouxe novidades nas marcas brancas. UZO, WOO e Amigo entram no ano com uma campanha de baixa de preços, onde é possível encontrar 'valores DIGI' nas ofertas destas operadoras. A WOO, que tentou ao máximo afastar-se desta redução de preços, acabou por igualar as ofertas das suas rivais.

Assim, até ao próximo dia 18 de março, para aqueles que procuram serviços low-cost, é possível encontrar ofertas muito semelhantes nas quatro operadoras.

Março foi também o mês de voltar a alinhar noutro segmento.

No ano passado, a Vodafone tinha trazido uma novidade quanto à sua marca 'jovem', Yorn. Para além dos tarifários móveis que sempre existiram, passou a oferecer a possibilidade de contratar serviços de fibra de 1 Gbps, TV (20 canais) e ainda acrescentou às ofertas serviços como Netflix, Google One e Prime Video.

Podes consultar aqui os tarifários da Vodafone para a sua marca Yorn: https://www.yorn.net/pacotes/internet-fixa

MEO e NOS, após alguns meses, decidiram dar resposta a esta oferta da sua concorrente. Iguais a si próprias, alinham nas ofertas e trazem para o mercado a possibilidade de contratar fibra nas suas marcas MOCHE e WTF.

Podes consultar as ofertas da MOCHE aqui: https://www.moche.pt/ 
Podes consultar as ofertas da WTF aqui: https://www.wtf.pt/

Uma coisa é certa: estas marcas jovens sempre tiveram uma proposta simples — ter uma limitação na faixa etária dos clientes que podem aderir e oferecer um conjunto de parcerias em cinemas, restaurantes, lojas, entre outros, que permitissem garantir poupança aos seus utilizadores em serviços muito procurados pelos mais jovens.

Com a entrada da DIGI, uma das primeiras mexidas nestas marcas foi o aumento da idade máxima para adesão aos serviços. Anteriormente limitada aos 25 anos (inclusive), todas alinharam numa nova condição de idade, tendo subido o limite para os 35 anos.

Que diferença vai fazer?


Uma vez que, nos relatórios anuais da ANACOM, não são divulgadas as quotas de serviços de cada uma das marcas separadamente, não vamos ter capacidade de analisar o crescimento destas ofertas. Ainda assim, diria que é mais uma forma de criar várias camadas de segurança que visem inundar o mercado de opções e evitar ao máximo a saída de clientes para propostas que não sejam as das operadoras incumbentes: MEO, NOS e Vodafone.

Isto fará cair a DIGI?


Eu diria que não. O cliente DIGI é um cliente muito específico. Apesar de procurar preço, procura também fazer algum 'protesto' contra aquilo que foi o domínio das principais operadoras ao longo de décadas no nosso mercado.

O principal inimigo da DIGI será a própria DIGI. Digo isto porque a não resposta a muitos problemas que os clientes vão apontando, aliada a alguma incapacidade na formação dos seus profissionais, leva, em muitos casos, a que mesmo os adeptos mais fervorosos se tenham de render aos serviços de outras operadoras, quando confrontados com falhas persistentes e níveis de suporte técnico abaixo dos mínimos olímpicos.

2026 será um grande ano para as telecomunicações. Estaremos cá para analisar tudo aqui no ViciadoComenta!