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DIGI global com 33M de prejuízo e OPERAÇÃO em PORTUGAL no VERMELHO

📅 03/03/2026 ✍️ Pedro Silva ⏱️ 3 min de leitura

Avaliamos os resultados financeiros preliminares do grupo DIGI, referentes ao ano de 2025.

Terminou o ano de 2025 e é tempo de fazer o balanço provisório da operação da DIGI. O ano que agora fica para trás fica marcado por uma fortíssima expansão por parte da operadora romena, que está a expandir-se em vários mercados em simultâneo.

Espanha, Roménia, Portugal, Bélgica e Itália são os mercados onde a operadora low-cost está a desenvolver a sua operação. Como pode imaginar, algo desta dimensão custa dinheiro e, num setor de capital intensivo, pode ser uma tarefa muito complicada de equilibrar financeiramente.

Olhando para as contas globais, a DIGI anunciou receitas de 2,2 mil milhões de euros. No capítulo dos gastos, as despesas operacionais foram da ordem dos 1,7 mil milhões de euros e os custos com salários rondaram os 413 milhões de euros. Tudo isto leva a DIGI global a apresentar prejuízos de 33 milhões de euros na operação.

Dito isto, é motivo para alarme?

Enquanto operação global, a DIGI registou um aumento do volume de receitas de 292 milhões de euros face a 2024. Mas, como se costuma dizer, é preciso semear para colher os frutos mais à frente. A DIGI acelerou as despesas operacionais em 305 milhões de euros e reforçou o investimento no capital humano em 81 milhões de euros.

O aumento da receita não foi capaz de equilibrar as contas, mas a operação está longe de estar descontrolada. O caminho passa pelo investimento e por esperar que a operação no terreno comece a gerar receitas para consolidar o grupo.

Nesse capítulo, o grupo DIGI apresentou uma performance muito positiva. Com 32,1 milhões de unidades geradoras de receita em 2025, a DIGI cresceu 15% face a 2024, o que representa um aumento de 4,3 milhões de serviços vendidos.

Para este valor global, pesou muito a operação espanhola, que cresceu 28% nesse capítulo, seguida da operação portuguesa, que cresceu 26%, da romena, com 9%, e da italiana, com 7%.

Este é o peso que vai equilibrar esta balança. A venda massiva de serviços é o segredo para atingir o verde nas contas do próximo ano. Ao contrário das operadoras 'tradicionais', que ajustam os preços dos serviços para equilibrar a sua operação, a DIGI aposta noutra estratégia: manter o preço mínimo e maximizar a quantidade de unidades geradoras de receita.

Como correu a operação em Portugal?

Sendo um dos mercados num estágio de maturidade mais reduzido, é natural que ainda não esteja positiva. Em valores globais, a operação em Portugal obteve receitas na ordem dos 70 milhões de euros, o que não foi suficiente para evitar o resultado negativo, que ficou registado em 78,7 milhões de euros (EBITDA ajustado, excluindo o IFRS 16).

Ainda assim, a DIGI tem motivos para sorrir. Foram atingidas as 850 mil unidades geradoras de receita, o que compara com 676 mil em 2024. 2026 será um ano de consolidação. A DIGI já anunciou uma redução na expansão da rede de fibra em Portugal, não fechando a porta à expansão futura, mas parece ter chegado a hora de colher alguns frutos de todo este investimento feito em 2025.

Veremos o comportamento do mercado das telecomunicações em 2026, tanto em Portugal como nos vários mercados onde a DIGI se encontra em franca expansão.