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DIGI

DIGI ITÁLIA uma DESILUSÃO após 16 ANOS

📅 03/02/2026 ✍️ Pedro Silva ⏱️ 2 min de leitura

Anteriormente tivemos oportunidade de analisar a operação da DIGI na casa mãe, a Roménia. Hoje vamos olhar para a subsidiária da digi em itália, onde após 16 anos, não convence.

É amplamente conhecido que a DIGI opera em vários países e que, em muitos deles, a sua estratégia passou por entrar no mercado como MVNO. Esta abordagem permitiu acelerar o processo de entrada e, ao mesmo tempo, garantir um nível de qualidade aceitável no serviço, pelo menos numa fase inicial. O caso de Espanha ilustra bem esta lógica. A DIGI entrou como MVNO, recorrendo à rede da Telefónica, e só mais tarde, já com uma quota de mercado relevante no segmento móvel, iniciou a construção da sua própria rede. Ainda assim, manteve o acesso à infraestrutura da Telefónica durante o período de transição, assegurando continuidade e qualidade de serviço enquanto desenvolvia a sua rede. Olhando agora com mais atenção para a operação em Itália, o cenário é bastante diferente. A DIGI entrou neste mercado em 2010, também como MVNO, e, passados 16 anos, continua exatamente nesse modelo, utilizando a infraestrutura da Vodafone. No entanto, a sua presença no mercado italiano nunca conseguiu ganhar tração. Com uma quota de mercado a rondar apenas os 0,5%, a DIGI está longe de ter uma operação significativa em Itália. Na tentativa de inverter este cenário, a operadora iniciou, em 2023, a construção de rede de fibra na região de Turim. Ainda assim, a cobertura atual continua a ser bastante limitada. Mesmo com estes resultados modestos, este movimento demonstra que a operadora romena não abandonou o mercado italiano e procura reforçar a sua posição, apostando em serviços mais completos e de maior qualidade para os seus clientes. Este exemplo torna-se particularmente interessante quando comparado com o caso português. Em Portugal, a DIGI optou por entrar diretamente com serviços assentes em infraestrutura própria, o que lhe permite controlar custos e apresentar uma proposta de preços verdadeiramente agressiva. Em Itália, pelo contrário, enfrenta a concorrência de pelo menos quatro outros MVNOs, todos em condições muito semelhantes, o que dificulta que a DIGI se destaque como líder nos preços mais baixos. Perante este contexto, fica a questão: achas que a DIGI vai conseguir conquistar uma quota de mercado mais relevante nos próximos anos?