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Mercado das telecom em Portugal (2025)

📅 11/03/2026 ✍️ Pedro Silva ⏱️ 4 min de leitura

Análise do mercado das telecom em Portugal, no ano de 2025

O mercado de telecomunicações mudou muito durante o ano de 2025. Com a entrada em cena da DIGI, apareceram também as marcas brancas da MEO, NOS e Vodafone. Com isso, tivemos o crescimento exponencial da componente low-cost do mercado de telecomunicações em Portugal.

Pacotes de Serviços


Durante o ano de 2025, assistimos ao crescimento do número de subscritores deste tipo de produtos (aumentou 0,7% face a 2024, para 4,8 milhões de subscritores) e também das receitas (aumentaram 0,4%, para 2263 milhões de euros).

No que toca aos pacotes subscritos, os 4/5P aumentaram para 61% das subscrições, os 3P reduziram a sua relevância para 30% e os 2P subiram para 9,0%. No que toca às receitas, os pacotes mais completos (4/5P) contribuíram com 70% das receitas.

No que toca às quotas de mercado, a MEO manteve a sua posição de liderança com 41,6% (-0,1%), a NOS segue logo atrás com 34,9% (-0,1%), na terceira posição está a Vodafone com 20,4% (-0,1%) e, na quarta posição, a nova operadora DIGI/NOWO com 3,0% (+0,4%).

Ao longo do ano de 2025, a DIGI conseguiu conquistar 0,4% do mercado dos pacotes de serviços em Portugal. Apesar de ser um valor relativamente baixo, representa uma conquista de terreno face àquela que era a zona “dominada” pelos três grandes operadores.

Um assunto relevante para esta análise seria compreender qual é a dimensão das marcas brancas (UZO, WOO e Amigo) na quota de cada uma das operadoras, para se perceber a real dimensão deste mercado low-cost em Portugal.

Serviços Móveis


Face a 2024, houve uma redução de 1,2% no número de serviços por cada 100 habitantes, estando agora em 125 por 100. No que toca aos acessos à internet móvel, assistimos a uma aceleração de 5,2%, para 105 por 100.

Na distribuição por tipologia, temos 79,9% destes serviços na componente Voz + Dados, 15,9% em Voz e 4,2% em PC/Tablet.

Relevante foi também a redução do número de minutos no serviço de voz móvel, que diminuiu 4,6% face a 2024, para os 201 minutos mensais por utilizador. Na direção contrária está o consumo de banda larga móvel, que acelerou uns impressionantes 39%, estando agora numa média de 17,7 GB por mês.

No que toca à quota no segmento móvel, a MEO lidera com 36% (-0,9%), seguida da NOS com 31,1% (+0,5%), da Vodafone com 27,6% (-0,4%), da DIGI com 3,3% (+0,8%) e da MVNO LycaMobile com 2% (+0,1%).

Importa compreender que, neste segmento, a capacidade de crescimento da DIGI foi superior, tendo conquistado quase 1% de quota de mercado face ao 4T2024. A única operadora que parece não ter sido afetada nesta disputa foi a NOS, que, com a sua marca branca WOO, obteve uma performance muito positiva, contribuindo para o crescimento de 0,5% de quota no serviço móvel.

Neste campo, no 4T2024, o grupo DIGI/NOWO contava com 2,5% de quota, sendo que 1,8% estavam na Cabovisão/NOWO e 0,7% na DIGI. No 4T2025, o peso da NOWO é de apenas 0,2%, sendo que o da DIGI cresceu para 3,1%. Isso mostra que as migrações estão praticamente concluídas e que, em breve, passaremos a analisar apenas o crescimento orgânico da DIGI, e não o resultado da absorção dos clientes que vieram da NOWO.

Evolução dos Preços das Telecomunicações


Face a janeiro de 2025, os preços reduziram 1,9%. Olhando segmento a segmento, no que toca aos STF (telefone fixo) não houve qualquer alteração (0%); nos STM (telemóveis) assistimos a uma redução nos preços (-1,7%); nos serviços BLM (banda larga) verificou-se uma redução acentuada (-18,7%); e nos pacotes de serviços houve uma redução modesta (-0,6%).

No que toca às ofertas mais baratas em Portugal, a DIGI garante as mais baratas nos serviços STM e nos pacotes 3P e 4P. Apenas nos pacotes 5P a NOS consegue entrar nestas contas, com uma oferta de 64,98€, que, face à proposta mais barata neste segmento em 2025 (que era da Vodafone), é superior, sendo a anterior de 59,10€.

Reclamações no setor


Em 2025, a ANACOM recebeu 64,3 mil reclamações dirigidas aos prestadores de serviços de comunicações eletrónicas, sendo este valor superior em 3% ao registado pelo regulador em 2024.

Para este valor contribuíram, da seguinte forma, cada operador:

Vodafone – 33% das reclamações – 21,3 mil – +1% – 7,7/1000 clientes. 
MEO – 28% das reclamações – 18,1 mil – +11% – 4/1000 clientes. 
NOS – 28% das reclamações – 18 mil – (-21%) – 6,2/1000 clientes.
DIGI/NOWO – 10% das reclamações – 6,5 mil – 18,7/1000 clientes. 
DIGI – 8% das reclamações – 1,2 mil – 5,2/1000 clientes.

Aqui fica uma visão sobre o mercado das telecomunicações ao longo do ano de 2025, que servirá como base para análise ao longo dos próximos anos.