Rede Móvel DIGI continua a avançar em Portugal
Desde Novembro de 2024 que o serviço móvel da DIGI tem estado debaixo de fogo. Num mercado amadurecido, uma nova entrante MNO enfrenta um desafio gigante: garantir uma rede móvel estável em tempo recorde!
Desde o lançamento dos serviços da DIGI, aqui no Viciado Comenta temos acompanhado de perto a evolução da operadora em Portugal. Um dos segmentos que mereceu particular atenção foi o serviço móvel.
De acordo com os relatórios da ANACOM, a DIGI representa atualmente cerca de 3% da quota de mercado no segmento móvel em Portugal. Este foi, aliás, o serviço que registou o crescimento mais expressivo desde a entrada da operadora, beneficiando também da migração massiva de clientes da NOWO, na sequência da sua aquisição pela DIGI.
Entre novembro de 2024 e maio de 2026 muito aconteceu. Ainda assim, mais do que isolar momentos-chave, importa olhar para o panorama global — e é precisamente esse o exercício que hoje proponho.
Com recurso à ferramenta Geo.ANACOM, procurei comparar a evolução da rede móvel da DIGI entre julho de 2025 e maio de 2026.
Julho de 2025:
Com apenas oito meses de desenvolvimento, não seriam de esperar milagres. Numa análise direta, era evidente que a rede se encontrava mais consolidada nas áreas metropolitanas e no sul do país, numa fase inicial. Existiam ainda muitas zonas onde a experiência do utilizador ficava aquém das expectativas, sobretudo devido à falta de cobertura. Nessa altura, bastava uma viagem de automóvel pelo interior ou centro do país para, com alguma frequência, perder sinal durante vários quilómetros. A este cenário juntou-se o conhecido “problema das chamadas” que marcou esse verão, contribuindo para um aumento significativo das reclamações dirigidas à operadora low-cost.
Maio de 2026:
Dez meses depois, voltamos a analisar o estado da rede móvel. Importa ressalvar que o Geo.ANACOM não é uma ferramenta infalível, devendo ser utilizada numa perspetiva de análise geral e não excessivamente detalhada. Ainda assim, os dados permitem perceber uma evolução positiva em praticamente todos os indicadores. A rede 2G apresenta já uma redução significativa das zonas com cobertura limitada ou inexistente. No 4G, destaca-se o aumento das áreas classificadas como “verdes” face às “amarelas”, indicando velocidades expectáveis de ≥100 Mbps, em comparação com os anteriores ≥30 Mbps. Já no 5G, observa-se algum reforço, embora — à semelhança das restantes operadoras — ainda esteja longe de alcançar uma cobertura massiva do território nacional.
Numa comparação direta, os avanços no desenvolvimento da rede da DIGI são claros. É expectável que, ao longo dos próximos anos, continuemos a assistir a um reforço gradual da cobertura e da resiliência da infraestrutura.
A DIGI, como qualquer novo operador móvel (MNO) a entrar no mercado português, enfrenta um desafio exigente: oferecer, em tempo recorde, um serviço equiparável ao das operadoras já estabelecidas. Num mercado maduro como o nacional, muitos consumidores já não se recordam das limitações que marcaram as fases iniciais das redes móveis em Portugal. Habituados a um serviço estável, nem todos estarão dispostos a aceitar as incertezas inerentes a uma rede ainda em desenvolvimento.
Em suma, a DIGI continua a trilhar o seu caminho. Resta saber se, com o tempo, conseguirá responder à questão que persiste entre os mais céticos: será possível oferecer um serviço premium a preços low-cost?